
Equipe do PLVB, representantes de empresas membro e pesquisadores estiveram presentes no evento. |Foto: Douglas Teixeira / Instituto Brasileiro de Transporte Sustentável.
A agenda de descarbonização da logística brasileira ganhou contornos mais nítidos no dia 8 de dezembro, com a realização do workshop “Transição Energética e Tecnológica: Caminhos para o Brasil”. O evento, sediado na Vibra, empresa membro do Programa de Logística Verde Brasil (PLVB), em parceria com o PLVB, a COPPE/UFRJ e o Instituto Clima e Sociedade (iCS), reuniu líderes da indústria e da academia para debater soluções concretas, desde a eletrificação de frotas até o uso de biocombustíveis avançados.
O encontro, realizado de forma híbrida no Edifício Lubrax, no Rio de Janeiro, reforçou a importância da sinergia entre os setores para o avanço da logística verde. Thiago Veiga, gerente de desenvolvimento de produtos na Vibra Energia, destacou o papel da colaboração:
“É importantíssimo para Vibra como membro do programa, poder sediar um fórum como esse, a gente teve uma agenda bem intensa agora pela manhã, com trocas muito positivas. É muito interessante ver como os nossos projetos, a academia e a indústria estão trabalhando em conjunto para promover o setor, para promover biocombustíveis, descarbonização e soluções para todo o segmento. E acho que é exercitar esse eixo o Rio-São Paulo, né? Ter mais eventos no Rio também é algo muito interessante. A Vibra vai ser sempre parceira e tá sempre com portas abertas para receber o setor.”
Thiago Veiga e Julia Carneiro, Coordenadora de Produtos Especiais da Vibra Energia, participaram do painel “Plataforma Multienergia”, detalharam as iniciativas da empresa para se posicionar como um dos provedores de soluções para a transição energética do país.
Resultados práticos e roteiros para o setor

Daniel Schmidt apresentou dados preliminares da pesquisa sobre a análise do ciclo de vida de caminhões elétricos e a bateria. | Foto: Douglas Teixeira / Instituto Brasileiro de Transporte Sustentável.
O workshop foi palco para a apresentação de estudos relevantes do Laboratório de Transportes de Cargas da COPPE/UFRJ. O pesquisador e pós-doutorando Daniel Gonçalves apresentou os resultados preliminares da Análise de Ciclo de Vida (ACV) de caminhões, comparando um modelo elétrico à bateria (Volkswagen e-Delivery) com seu equivalente a diesel.
Segundo Gonçalves, o estudo, que modelou veículos e componentes produzidos no Brasil, demonstrou a viabilidade da eletrificação no país:
“Foi observado que embora o veículo elétrico tenha uma pegada de carbono maior na produção do berço ao portão, com 25 mil km de uso ele já empata com as emissões do veículo a diesel. Dali para frente, a mitigação é expressiva, cerca de 60% de emissões inferiores em relação ao diesel.”
O pesquisador ressaltou ainda que, em cenários otimistas (com produção nacional de baterias e uso de energia solar fotovoltaica para 50% das recargas), essa redução pode chegar a 75%, consolidando o Brasil como um player chave no mercado global de veículos elétricos devido à sua matriz energética limpa.
Roadmap para segmentos de difícil abatimento

Lorena Ricci apresentou um estudo que apresenta caminhos para a descarbonização até 2050. | Foto: Douglas Teixeira / Instituto Brasileiro de Transporte Sustentável.
A pesquisadora Lorena Ricci, do Laboratório de Transporte de Cargas da COPPE/UFRJ, apresentou o projeto “Roadmap para Descarbonização do Transporte Rodoviário de Longa Distância, Marítimo e Aéreo de Cargas do Brasil”. O estudo projeta caminhos até 2050, avaliando alternativas como veículos elétricos e o uso de novos combustíveis, como o HVO (diesel verde) e o SAF (combustível sustentável de aviação), e mapeando as barreiras setoriais (ex: alto custo do SAF no aéreo; escala de produção no rodoviário).
Lorena Ricci detalhou as estratégias prioritárias definidas pelo estudo para a transição energética:
“Basicamente o que a gente definiu para o transporte rodoviário seria continuar a fortalecer a nossa política do biodiesel através das misturas regulamentadas e escalar a introdução dos combustíveis alternativos, sendo os principais o biometano e o HVO, diesel verde. Para o transporte marítimo, começar a introduzir o combustível alternativo, que nesse caso seria o biodiesel convencional no estilo drop-in. E para o transporte aéreo, a gente tem que avançar na introdução do SAF e aí bastando ser definida qual seria a melhor rota para a produção, sendo indicado como a rota para curto médio prazo, a rota HEFA, que é a parte de óleos e gorduras vegetais e para longo prazo, a rota AtJ, que é Alcohol-to-Jet, a partir de etanol.”
Lorena Ricci finalizou com uma recomendação crucial para o avanço da agenda: “Recomendamos que seja estabelecido o marco regulatório consistente de uso de energia em transportes, e que sejam fornecidos incentivos e subsídios a curto prazo para que possa fomentar a transição do setor.”
Colaboração e continuidade da agenda verde

Da esq. para dir. Lino Marujo (coordenador do PLVB), Tamar Roitman (especialista em enegia – iCS); Anita Baggio (diretora de gestão de mudança e ESG – Vibra Energia), Suzana Kahn Ribeiro (diretora da COPPE/UFRJ) e Márcio D’agosto (coordenador do PLVB). | Foto: Douglas Teixeira / Instituto Brasileiro de Transporte Sustentável.
O Coordenador do PLVB, Márcio D’agosto, reforçou a relevância da discussão para a missão do Programa: “Nós trabalhamos basicamente as questões da transição energética e tecnológica para o transporte. Considerando tantas soluções específicas, que a Vibra traz para o mercado e aí a gente está falando basicamente de biocombustíveis, tanto líquidos como gasosos, da eletrificação de veículos, e também para segmentos específicos como o aéreo e o transporte marítimo.” O Coordenador agradeceu o acolhimento da Vibra e a contribuição dos especialistas e da Diretora da COPPE/UFRJ, Suzana Kahn Ribeiro.
As discussões do workshop consolidam a abordagem do PLVB de promover a colaboração e a inovação baseada em dados concretos. O Programa segue com seu propósito de estimular a adoção de práticas sustentáveis, utilizando o conhecimento gerado em eventos como este para construir uma logística brasileira mais verde e descarbonizada.
PLVB ODS 17 na prática!